A diferença entre a ferida da rejeição e a ferida do abandono
- Fernanda Visciani
- 27 de abr.
- 4 min de leitura
Por @fernandavisciani
Saber diferenciar se você tem a ferida da rejeição ou do abandono pode mudar a sua vida

Nos artigos anteriores, aprofundamos a ferida da rejeição, seus impactos na autoestima, autoimagem e comportamentos.
Agora, iniciamos um novo eixo: a ferida do abandono.
Embora essas duas feridas sejam frequentemente confundidas, elas têm origens e manifestações diferentes e entender essa diferença é essencial para identificar o que realmente está por trás dos seus padrões emocionais.
De forma simples:
👉 a rejeição está ligada à sensação de não ser aceita
👉 o abandono está ligado ao medo de perder e ficar sozinha
Mas, na prática, essas feridas se manifestam de formas muito específicas.
O que é a ferida da rejeição
A ferida da rejeição surge quando a criança sente que não é aceita, desejada ou bem-vinda.
Essa dor costuma aparecer muito cedo e gera uma sensação profunda de:
“há algo errado comigo”
Por isso, a principal reação é o afastamento.
A pessoa tende a:
se esconder emocionalmente
evitar se expor
se sentir inadequada
fugir de situações onde pode ser julgada
O medo central aqui é:
👉 ser rejeitada por quem é
O que é a ferida do abandono
A ferida do abandono está relacionada à sensação de falta de presença, apoio ou conexão emocional.
A criança pode ter vivido situações de ausência - física ou emocional - e desenvolve um medo profundo de ficar sozinha.
A sensação interna é:
“eu não consigo sozinha”
Por isso, a principal reação é o apego.
A pessoa tende a:
buscar validação constante
ter dificuldade de ficar sozinha
sentir medo de perder o outro
desenvolver dependência emocional
O medo central aqui é:
👉 ser deixada ou esquecida
A principal diferença emocional
A diferença entre essas duas feridas está na forma como a pessoa lida com o outro:
Rejeição → se afasta para não se machucar
Abandono → se apega para não perder
Enquanto uma evita o vínculo, a outra se prende a ele.
Você se sente vazia ou insuficiente? Entenda o que está por trás
Se você se sente insuficiente, isso pode estar mais ligado à ferida da rejeição.
Se você se sente vazia ou com medo de ficar sozinha, isso pode estar mais relacionado à ferida do abandono.
Mas é importante entender que essas feridas podem coexistir.
Por exemplo:
você pode se afastar emocionalmente (rejeição)
mas, ao mesmo tempo, sentir medo de perder alguém importante (abandono)
Essa mistura pode gerar confusão interna e padrões contraditórios.
Como essas feridas aparecem nos relacionamentos
Nos relacionamentos, essa diferença fica ainda mais evidente:
Ferida da rejeição:
dificuldade de se abrir
medo de ser julgada
tendência a se afastar
sensação de não pertencer
Ferida do abandono:
medo constante de perder o outro
necessidade de atenção
insegurança na relação
dependência emocional
Enquanto uma pessoa evita se envolver profundamente, a outra pode se envolver de forma intensa e até excessiva.
A origem dessas diferenças
Essas feridas se formam a partir de experiências distintas:
a rejeição está mais ligada à identidade (quem eu sou)
o abandono está mais ligado ao vínculo (com quem eu estou)
Por isso:
quem vive rejeição questiona seu valor
quem vive abandono teme a ausência do outro
Por que é importante entender essa diferença
Quando você não identifica corretamente a ferida, pode tentar resolver o problema da forma errada.
Por exemplo:
alguém com abandono pode tentar “ser mais independente”, mas continuar sentindo vazio
alguém com rejeição pode tentar “se aproximar mais”, mas continuar se sentindo inadequada
A clareza emocional é o que permite uma transformação mais profunda.
O caminho para a consciência
O primeiro passo não é mudar o comportamento.
É entender o que está por trás dele.
Quando você reconhece se sua dor está mais ligada à rejeição ou ao abandono, começa a perceber seus padrões com mais clareza.
E isso abre espaço para escolhas mais conscientes.
Conclusão
Se você se sente vazia ou insuficiente, isso não é fraqueza.
É um sinal de que existe uma ferida emocional pedindo atenção.
E entender se essa dor vem da rejeição ou do abandono é um passo essencial para começar a transformar sua relação consigo mesma e com os outros.
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Referências Bibliográficas
BOURBEAU, Lise. As Cinco Feridas Emocionais: Que Impedem de Ser Você Mesmo. Rio de Janeiro: Sextante.
BRADSHAW, John. De Volta para Casa: Recuperando e Defendendo sua Criança Interior. São Paulo: Cultrix.
BRANDEN, Nathaniel. Os Seis Pilares da Autoestima. São Paulo: Saraiva.
MILLER, Alice. O Drama da Criança Bem-Dotada. São Paulo: Summus.




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