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O que é Constelação Familiar? Entenda como essa ferramenta funciona

Foto do escritor: Fernanda Visciani
Fernanda Visciani
12 de ago.
5 min de leitura

Por @fernandavisciani


Uma introdução ao olhar sistêmico para compreender padrões familiares, relacionamentos e comportamentos que se repetem



constelação familiar

Este é o primeiro artigo de sequência sobre a Constelação Familiar. Nos próximos conteúdos, vamos aprofundar como funciona uma sessão, o que pode ser levado para uma constelação, relacionamentos, família, dinheiro, trabalho e padrões repetitivos.


Por isso, aqui o objetivo é começar pelo essencial: entender o que é a Constelação Familiar, de onde vem essa abordagem e o que significa olhar para uma questão a partir do sistema familiar.



O que é Constelação Familiar?


A Constelação Familiar é uma ferramenta desenvolvida por Bert Hellinger, a partir de seu trabalho com famílias e relações. Hellinger desenvolveu o método de Familienstellen e formulou o que chamou de Ordens do Amor, conceitos que passaram a fundamentar seu trabalho com sistemas familiares.


De forma simples, a proposta é olhar para uma dificuldade não apenas como um problema individual, mas também considerando os vínculos, relações e padrões presentes no sistema familiar.


Isso significa fazer uma pergunta diferente.


Em vez de olhar somente para: "O que há de errado comigo?"


A perspectiva sistêmica procura investigar: "O que está acontecendo nas minhas relações e na minha história familiar que pode estar relacionado à forma como vivo essa situação?"


É esse deslocamento de perspectiva que torna a Constelação Familiar especialmente interessante para pessoas que percebem que determinados padrões parecem se repetir, mesmo quando conscientemente desejam agir diferente.



O que significa "sistema familiar"?


Quando falamos em sistema familiar, não estamos falando apenas das pessoas que convivem atualmente com você. A família é compreendida como uma rede de relacionamentos e acontecimentos que atravessa gerações. Pais, filhos, irmãos, avós e outros membros importantes fazem parte dessa história.


Dentro da abordagem de Hellinger, situações familiares importantes podem influenciar os vínculos e a maneira como os membros de uma família se relacionam. Entre os conceitos desenvolvidos por ele estão pertencimento, hierarquia e equilíbrio nas relações.


Por isso, algumas pessoas procuram a Constelação quando percebem:

  • conflitos familiares recorrentes;

  • dificuldades nos relacionamentos;

  • sensação de não pertencimento;

  • padrões que parecem se repetir;

  • culpa excessiva;

  • dificuldade de se posicionar;

  • problemas relacionados à vida profissional ou financeira.


Isso não significa que exista necessariamente uma "causa familiar" para todo problema.

A proposta é ampliar o olhar sobre a questão.



Por que alguns padrões parecem se repetir?


Talvez você já tenha pensado: "Eu sei que esse relacionamento não me faz bem, mas continuo escolhendo pessoas parecidas."


Ou: "Eu prometi que não repetiria determinados comportamentos da minha família, mas percebo que estou fazendo exatamente isso."


Ou: "Eu não consigo mudar uma situação que me faz mal, mesmo procurando ajuda."


Esse tipo de experiência é uma das portas de entrada para o olhar sistêmico.


A pessoa percebe que existe uma diferença entre aquilo que racionalmente deseja e aquilo que acaba repetindo na prática.


É aqui que podemos fazer uma conexão importante com temas como feridas emocionais, criança interior e autossabotagem.


Uma experiência da infância pode influenciar a forma como uma pessoa aprende a buscar amor, segurança ou pertencimento. Mais tarde, determinados comportamentos podem continuar sendo reproduzidos mesmo quando já não são necessários.


A Constelação Familiar propõe investigar essas dinâmicas a partir de uma perspectiva sistêmica.



Constelação Familiar é uma terapia?


Aqui existe uma diferença importante.


A Constelação Familiar é apresentada por seus praticantes como uma ferramenta ou método de trabalho sistêmico, e não deve ser tratada como sinônimo de psicoterapia.


Por isso, é importante que o leitor saiba diferenciar: Constelação Familiar como prática sistêmica de autoconhecimento de psicoterapia baseada em métodos reconhecidos pela Psicologia.



Como uma Constelação Familiar pode ajudar alguém a olhar para um problema?


Dentro da abordagem, o objetivo não é simplesmente encontrar um culpado.


Não se trata de descobrir: "Quem da minha família causou isso?"


A proposta é ampliar a percepção sobre os vínculos e padrões envolvidos naquela questão.


Por exemplo, uma mulher pode chegar dizendo:


"Eu não consigo prosperar."

Em vez de trabalhar apenas a questão financeira, pode-se investigar a relação dela com dinheiro, família, pertencimento, culpa, sucesso e possíveis padrões que ela reconhece em sua história.


Outra mulher pode chegar dizendo:


"Eu sempre escolho relacionamentos que me fazem sofrer."

Nesse caso, o olhar pode ser direcionado para seus relacionamentos, sua história familiar e os padrões que ela identifica na maneira de amar e se vincular.


A pergunta muda de: "Por que eu faço isso?"


Para: "O que existe nessa história que eu ainda não consegui perceber?"



O que pode ser levado para uma Constelação Familiar?


Não existe uma única lista fechada de temas.


A própria tradição de Hellinger passou a aplicar o trabalho sistêmico a diferentes contextos, incluindo família, relacionamentos e questões profissionais.


Entre os temas que costumam aparecer na procura por esse tipo de trabalho estão:


❤️ Relacionamentos

  • dificuldade de encontrar um parceiro;

  • conflitos recorrentes;

  • dependência emocional;

  • dificuldade de se separar;

  • repetição de padrões amorosos.


👨‍👩‍👧 Família

  • conflitos com os pais;

  • dificuldade de pertencimento;

  • relações entre irmãos;

  • culpa;

  • questões relacionadas à maternidade.


💰 Dinheiro

  • dificuldade de prosperar;

  • medo de ganhar mais;

  • dificuldade de receber;

  • conflitos familiares relacionados ao dinheiro.


💼 Trabalho

  • dificuldade com liderança;

  • conflitos profissionais;

  • medo de crescer;

  • sensação de não pertencimento;

  • dificuldade de se posicionar.


🌱 Vida pessoal

  • autossabotagem;

  • dificuldade de tomar decisões;

  • padrões repetitivos;

  • sensação de estar "presa" na própria vida.


O próximo artigo desta série vai aprofundar justamente como funciona uma sessão de Constelação Familiar, desde a escolha do tema até o processo de representação.



Constelação Familiar significa culpar a família?


Não. Essa é uma das maiores distorções que podem acontecer quando alguém conhece superficialmente a abordagem.


Olhar para a família não significa responsabilizar pais ou antepassados por tudo o que acontece na sua vida.


Uma abordagem de autoconhecimento precisa fazer justamente o movimento contrário:

ampliar sua consciência e sua capacidade de escolha.


Você pode reconhecer que determinadas experiências influenciaram sua forma de agir sem transformar isso em uma sentença: "Eu sou assim porque minha família me fez assim."


A pergunta mais transformadora é: "Agora que consigo perceber esse padrão, o que posso fazer diferente?"



Afinal, para que serve a Constelação Familiar?


De maneira geral, quem procura essa abordagem está buscando compreender melhor uma questão que parece se repetir ou permanecer sem solução.


Pode ser uma dificuldade amorosa.

Um conflito familiar.

Uma questão profissional.

Uma relação difícil com dinheiro.

Ou simplesmente a sensação de: "Eu quero mudar, mas parece que alguma coisa me impede."


A Constelação Familiar propõe um olhar para além do indivíduo isolado e considera os vínculos e o contexto sistêmico.


E talvez essa seja sua principal provocação: Nem tudo precisa ser compreendido apenas olhando para você. Às vezes, é preciso olhar também para as relações das quais você faz parte.



Que tal marcar a sua constelação familiar? Clique no botão abaixo para eu explicar os próximos passo.



Referências bibliográficas


HELLINGER, Bert. Ordens do Amor: Um Guia para o Trabalho com Constelações Familiares. São Paulo: Cultrix. A obra é uma das principais referências de Hellinger sobre o trabalho com Constelações Familiares e apresenta os conceitos das chamadas "Ordens do Amor".


HELLINGER, Bert. Constelações Familiares: O Reconhecimento das Ordens do Amor. São Paulo: Cultrix, 2001.


SCHNEIDER, Jakob Robert. A Prática das Constelações Familiares: Bases e Exemplos. Patos de Minas: Atman, 2007. A obra é citada em referências acadêmicas brasileiras sobre a prática das Constelações Familiares.

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