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Feridas emocionais. A diferença entre a ferida da rejeição, do abandono e da humilhação

  • Foto do escritor: Fernanda Visciani
    Fernanda Visciani
  • 8 de jun.
  • 4 min de leitura

Por @fernandavisciani


Conhecer as feridas emocionais é muito mais do que se conhecer, é abrir a porta da cura



feridas emocionais

Ao longo desta série, exploramos a ferida da rejeição e a ferida do abandono, entendendo como elas se formam, como afetam a autoestima, os relacionamentos e os padrões de autossabotagem.


Agora, vamos iniciar um novo capítulo: a ferida da humilhação.


Antes disso, é importante compreender uma dúvida muito comum:

Qual é a diferença entre a rejeição, o abandono e a humilhação?


Embora essas três feridas emocionais possam coexistir, cada uma possui uma origem, uma dor central e comportamentos específicos.


Quando você consegue identificar qual delas está mais presente na sua vida, começa a compreender melhor suas reações, seus relacionamentos e os padrões que se repetem.


E isso abre espaço para a cura.



O que são as feridas emocionais?


Segundo Lise Bourbeau, as feridas emocionais surgem na infância a partir das experiências que marcaram profundamente nossa percepção sobre nós mesmos e sobre o mundo.


Essas dores não desaparecem simplesmente com o tempo.

Pelo contrário.


Muitas vezes continuam influenciando a vida adulta através de:

  • insegurança emocional

  • baixa autoestima

  • dependência emocional

  • medo de rejeição

  • culpa excessiva

  • padrões de autossabotagem


Por trás desses comportamentos existe uma criança interior que ainda tenta se proteger de uma dor antiga.



Ferida da rejeição: a dor de não se sentir aceita


A ferida da rejeição está relacionada à sensação de não ser aceita por aquilo que se é.


A criança pode interpretar situações como:

  • falta de acolhimento

  • críticas frequentes

  • sensação de não pertencer

  • comparação com outras pessoas


A dor central é:

"Existe algo errado comigo."


Por isso, na vida adulta, a pessoa pode:

  • evitar exposição

  • sentir vergonha de ser quem é

  • duvidar constantemente de si mesma

  • sentir-se inferior aos outros


O maior medo não é perder alguém.

É não ser aceita.



Ferida do abandono: a dor de perder a conexão


Na ferida do abandono, a dor principal não é a rejeição.

É a sensação de ausência emocional.

A criança sente que falta apoio, presença ou vínculo.


A crença que costuma surgir é:

"Eu não consigo sozinha."


Na vida adulta isso pode gerar:

  • dependência emocional

  • medo de ficar sozinha

  • ansiedade nos relacionamentos

  • necessidade constante de validação


O maior medo é ser deixada para trás.



Ferida da humilhação: a dor da vergonha e da culpa


A ferida da humilhação se desenvolve quando a criança sente vergonha de si mesma, de suas necessidades ou de seus desejos.


Isso pode acontecer quando ela é:

  • criticada excessivamente

  • exposta diante de outras pessoas

  • ridicularizada

  • controlada

  • punida por expressar emoções ou necessidades


A crença profunda costuma ser:

"Há algo de errado em precisar, sentir ou desejar."


Por isso, muitas pessoas desenvolvem:

  • culpa excessiva

  • dificuldade de receber

  • necessidade de agradar

  • excesso de responsabilidade

  • tendência a se sacrificar pelos outros


O maior medo não é ser rejeitada ou abandonada.

É ser julgada, envergonhada ou considerada inadequada.



Como identificar qual ferida está mais ativa


Uma forma simples de perceber é observar qual emoção aparece com mais frequência na sua vida.


Rejeição

Você costuma sentir:

  • inadequação

  • inferioridade

  • vergonha de se expor


Pergunta central:

"O que há de errado comigo?"


Abandono

Você costuma sentir:

  • medo de perder pessoas

  • solidão

  • vazio emocional


Pergunta central:

"Quem vai ficar comigo?"


Humilhação

Você costuma sentir:

  • culpa

  • vergonha

  • necessidade de agradar


Pergunta central:

"Será que estou sendo egoísta?"



Por que essas feridas geram autossabotagem


Independentemente da ferida predominante, todas têm algo em comum:

A tentativa de evitar sofrimento.


Por isso surgem comportamentos de autossabotagem.

A pessoa evita oportunidades, se anula nos relacionamentos, se cobra excessivamente ou permanece em situações que já não fazem bem.


Não porque gosta de sofrer.

Mas porque, inconscientemente, está tentando se proteger.



A importância de olhar para a criança interior


Quando falamos em cura emocional, não estamos falando apenas de entender comportamentos.


Estamos falando de acolher a parte da sua história que aprendeu a sobreviver através deles.

A criança interior não precisa de julgamento.


Ela precisa de compreensão.


Porque muitas das suas reações atuais são tentativas de proteção criadas há muitos anos.



O primeiro passo para a cura


Conhecer as suas feridas emocionais não serve para criar rótulos.

Serve para gerar consciência.


Quando você entende a origem dos seus padrões, deixa de acreditar que existe algo errado com você.


E começa a perceber que existe uma história emocional pedindo atenção.

A consciência não apaga a dor.

Mas abre a porta da transformação.



Conclusão


A rejeição faz você acreditar que não é suficiente.

O abandono faz você acreditar que não consegue sozinha.

A humilhação faz você acreditar que suas necessidades são um problema.


Embora sejam dores diferentes, todas podem influenciar profundamente sua autoestima, seus relacionamentos e suas escolhas.


E o primeiro passo para mudar isso é reconhecer qual dessas feridas está conduzindo sua vida hoje.



Um convite para aprofundar esse caminho


Ao longo dos próximos artigos, vamos aprofundar a ferida da humilhação e entender como ela afeta a autoestima, os relacionamentos, o merecimento e a capacidade de cuidar de si mesma.


Porque compreender suas feridas emocionais não é viver presa ao passado.

É criar a possibilidade de um futuro diferente.


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Referências Bibliográficas


BOURBEAU, Lise. As Cinco Feridas Emocionais: Que Impedem de Ser Você Mesmo. Rio de Janeiro: Sextante.

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